quinta-feira, 9 de agosto de 2012

No Chile, que a burguesia brasileira adora dizer que é um modelo de sociedade, a educação foi privatizada pelo governo militar de Pinochet e os governos "democráticos" pós ditadura, inclusive de uma mulher (Bachelet) mantiveram a privatização para proteger os lucros dos donos de escolas e universidades. Os estudantes estão, há tempos, numa luta quase que diária pelo direito ao ensino público. Vejam, abaixo, a situação da educação Chilena.

Ônibus são queimados durante manifestação estudantil no Chile

Foto: ReutersSANTIAGO - A capital do Chile viveu nesta quarta-feira mais um dia de violento protesto estudantil, que terminou com três ônibus públicos queimados e centenas de detidos. Para reprimir os milhares de estudantes secundários que protestavam no centro de Santiago exigindo educação pública e gratuita - e desafiando uma proibição do governo - a polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo. De acordo com o Ministério dos Transportes, manifestantes encapuzados interromperam a passagem dos veículos para incendiá-los. A televisão local mostrou imagens dos três ônibus em chamas ao longo do Parque Bustamante, vizinho à Praça Itália, onde mais cedo manifestantes se reuniram para tentar marchar até a Praça Alameda.
Os estudantes jogaram pedras e paus contra a polícia, que desde cedo patrulhava o local para evitar o protesto - que teve a permissão negada -, o quinto do ano convocado por associações de estudantes do ensino médio e universitários. No Chile é preciso de uma autorização para fazer passeatas pelas vias públicas. Por um lado, a porta-voz dos estudantes, Eloisa González, disse que a manifestação é uma resposta a uma "violação constante aos direitos dos estudantes". Por outro, o represante do governo, Andrés Chadwick, afirmou que os líderes estudantis não podem ser isentos de responsabilidade após a queima dos ônibus.
- Vivemos diariamente com a repressão, tanto interna, nas escolas, como nas ruas - disse Eloisa.
O governo municipal de Santiago havia proibido manifestações nas ruas da capital, temendo que os protestos se tornassem mais violentos depois que o último, em junho, acabou com 472 manifestantes presos e 36 policiais feridos. A série de manifestações estudantis começaram em março deste ano, quando alunos de segundo grau e universitários mobilizaram professores, pais e sindicatos, nos maiores protestos em duas décadas de democracia chilena.
O governo de Sebastián Piñera chegou a trocar o ministro da Educação e propôs uma reforma da área, num plano com 21 itens, mas sem alterar os princípios do modelo instaurado ainda durante a ditadura militar do país sul-americano, basicamente para fazer dinheiro. O governo rejeitou o fim dos lucros e está determinado em um ajuste tributário que garantiria US$ 1,2 milhão extra, que, de acordo com Piñera, seriam totalmente investidos em educação. Os estudantes, no entanto, exigem uma reforma mais profunda e recursos de pelo menos US$ 4,5 milhões. No país não existem universidades gratuitas.
Um sistema onde só estuda quem tem dinheiro
Para os jovens de classe média no Chile, a passagem pela universidade virou um verdadeiro calvário. Alguns estudantes, como Julio Maturana, de 24 anos, obtêm uma boa pontuação na exigente Prova de Seleção Universitária e conseguem uma vaga na Universidade do Chile, uma das melhores do país. Mas essa é só a primeira vitória numa longa e difícil batalha. Depois chega o inevitável endividamento da família para pagar mensalidades altíssimas que, muitas vezes, obrigam os alunos a abandonarem as carreiras.
Julio está no quarto ano de Engenharia Civil. Apesar de ter um crédito que cobre 75% dos US$ 8 mil anuais, nos últimos anos o jovem não conseguiu financiar os US$ 2 mil restantes e está tentando renegociar a dívida.
- É por isso que muitos jovens preferem trabalhar a estudar. Você sofre e, quando termina a faculdade, deve entre US$ 15 mil e 30 mil - critica.
O conflito, que já provocou dezenas de protestos no governo Michelle Bachelet (2006-2010) e no atual, levou muitos jovens a irem para a Argentina, onde as universidades públicas são gratuitas, não existem restrições para estrangeiros nem provas de ingresso. As universidades particulares cobram mensalidades mais baixas e a vida em Buenos Aires é mais barata do que em muitas cidades latino-americanas.


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